
Teleconsultas de Terapia da Fala
Uma nova realidade
Nos últimos anos, uma das mudanças de paradigma em Saúde tem assentado na extinção de barreiras espácio-temporais, com um uso cada vez mais consistente e regular de tecnologias de informação e comunicação. Assim, também a área da Terapia da Fala se tem vindo a ajustar e a adaptar progressivamente a esta nova realidade.
A situação pandémica que vivemos atualmente, obrigou-nos a todos a adaptar e revelou- se uma impulsionadora da teleconsulta de Terapia da Fala, como um recurso cada vez mais presente e necessário. O uso desta modalidade, nas perturbações da comunicação, linguagem, fala e/ou alimentação, é já objeto de estudo científico, havendo evidências na viabilidade da teleconsulta e o estabelecimento de comparação entre a mesma e os serviços prestados presencialmente.
As teleconsultas permitem ao utente (e cuidador, se aplicável) contactar o terapeuta da fala, através de uma videoconferência, criando uma experiência pessoal semelhante à alcançada numa sessão presencial. Através de ferramentas digitais, é possível falar, escrever, pintar, desenhar, jogar jogos e/ou aplicações em conjunto. Assim, a intervenção mantém-se dinâmica, apelativa e diversificada nos materiais utilizados, mostrando ser um recurso válido para as diferentes faixas etárias.
A opção da teleconsulta não deve ser encarada como exclusiva, em detrimento da consulta presencial, podendo até haver benefícios para o utente considerar as duas modalidades ao longo da sua intervenção terapêutica.
Contudo,
existem condicionantes à realização das teleconsultas de Terapia da Fala,
começando desde logo na entrevista e avaliação, que deverão ser sempre
realizadas de forma presencial. Para além disto, em Terapia da Fala, como os
serviços clínicos se baseiam nas necessidades exclusivas de cada utente, é relevante
considerar que a teleconsulta possa não ser apropriada em todas as
circunstâncias e/ou para todas as condições que o utente apresente. Neste
sentido, a elegibilidade para a prestação de serviços, com recurso a esta
modalidade, deve ser bem ponderada antes de ser iniciada. As questões
culturais, o domínio informático, a faixa etária e outras caraterísticas do
utente podem influenciar a viabilidade desta modalidade de intervenção.
Conclui-se que, a par com os avanços tecnológicos, o processo terapêutico em Terapia da Fala deverá ser permeável à modalidade de intervenção escolhida, bem como à utilização das novas ferramentas que existem, respondendo de uma forma assertiva às necessidades de cada utente.

Dr.ª Ana Francisca Ferreira
Terapeuta da Fala
Profissional CSSMH
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